Ilustração: Mergulho - Dani Durães
Escrevi esse texto para expressar a alegria e o sossego que experimento em meus encontros com o mar. Observando algumas fotografias desses momentos, pude me recordar do seu abraço e de outros abraços guardados na memória.
Rio de Janeiro, 2022.
Há na imensidão do mar um certo conforto em se deixar atrair, sem muito pensar. Um tanto pela junção de cores e tons, outro tanto pela brisa das águas e muito pela harmonia de suas ondas seja como for o sopro do vento. Num segundo, a grandeza do mar encanta, acolhe e abraça.
Diante do mar muitas composições e cenas provocam admiração, talvez por esse abraço que acolhe a vida que acontece perto, sem pressa, em entrega, no deixar-se abraçar e sossegar, em apreciar o bem-estar do sol, da areia nos pés, de se misturar às ondas nos mergulhos, de emergir para respirar e novamente voltar à vista para admirar.
Apesar da impossibilidade de expressar totalmente o momento vivido, algumas fotografias se aproximam ao recordar da presença ali no tempo que foi possível, um tempo agradável, num abraço sossegado, no tempo que durou. Tudo ali é tão gostoso de viver que viver ali é fácil, o difícil mesmo é se despedir, sem poder saber quando ou se voltará, mesmo desejando voltar para um novo encontro.
Fotografias de momentos junto ao mar retratam o encontro e recordam as sensações de quem esteve lá, viveu e testemunhou o que viveu. Que mesmo diante da grandeza do mar, há seu abraço e nele há reciprocidade de testemunho do vivido. Pode até parecer pouco, mas viver o tempo, dos encontros e dos abraços, basta.

