Ilustração: Cuidado - Dani Durães
É comum que nós, psicoterapeutas, sejamos questionadas sobre as diferenças entre as abordagens e, especialmente, sobre a teoria que orienta o nosso fazer. Muitas vezes, quem busca terapia acredita que existe uma linha “melhor” que as outras. Algumas dessas certezas são repetições do senso comum — como a busca exclusiva por “terapias baseadas em evidências” ou a popularidade histórica da psicanálise.
Embora a dúvida seja possível, a escolha de uma abordagem acaba sendo, na maioria das vezes, uma questão de preferência pessoal e dos critérios que fazem sentido para cada pessoa. Sendo assim, a decisão de começar a psicoterapia significa, em primeiro lugar, decidir-se pelo cuidado.
Para além dos nomes técnicos
É verdade que o campo da Psicologia Clínica é vasto: Fenomenologia Existencial, TCC, Psicanálise, Gestalt, entre outras, que divergem em técnicas e bases filosóficas. No entanto, todas compartilham um propósito ético central: oferecer um espaço seguro de cuidado, transformação e mais liberdade.
Mais do que se prender a nomenclaturas complexas, o que realmente faz diferença é a confiança no trabalho de quem exerce a clínica. A técnica e a teoria são fundamentais, mas elas não dão conta, sozinhas, da riqueza e da pluralidade das experiências vividas e corporalizadas num país tão vasto e tão diverso culturalmente como o Brasil.
A clínica como um organismo vivo
As abordagens não são estáticas, elas se atualizam conforme a sociedade muda. Por isso, ao procurar ajuda, vale considerar profissionais que se atentam às discussões contemporâneas e que não se restringem unicamente ao que dizem os manuais.
Nenhuma abordagem detém uma verdade absoluta ou uma solução definitiva para o “problema” da existência. Se houvesse uma resposta única, a psicologia não seria composta por tantos olhares distintos.
O rigor e o vínculo
O que sustenta uma boa terapia é o cuidado ético com a escuta, que precisa ser contínuo. Esse cuidado se manifesta quando a terapeuta une o rigor do seu método às atualizações do mundo contemporâneo colocando-se constantemente em questão.
No final das contas, a eficácia do processo está menos na teoria e mais no vínculo e na qualidade da presença oferecida. A postura da terapeuta — sua abertura, sua ética e sua sensibilidade — é o fator decisivo.
Qualquer afirmação de que uma abordagem é superior a outra desconsidera o caráter humano e singular da relação terapêutica, além disso, desconsidera um tanto de fatos que evidenciam a importância da psicoterapia, sem distinção de abordagem. Por isso, mais importante do que qual abordagem escolher, é quem você escolhe para te acompanhar. Afinal, será esta a presença que caminhará ao seu lado durante o seu processo de descoberta.

