Ilustração: Travessia - Dani Durães
Em primeiro lugar, é fundamental reconhecer que os motivos para iniciar a terapia são diversos, singulares e, acima de tudo, legítimos.
Quando existe a possibilidade de investir nesse processo, o momento adequado tem mais a ver com a coragem de se comprometer com a própria existência do que com a realidade de uma crise instalada. Afinal, as motivações — ou inquietações — são inúmeras e não precisam ser sentidas como um colapso para serem ouvidas. Na verdade, a psicoterapia também atua na prevenção de crises desorganizadoras.
Os caminhos que levam ao consultório são variados:
Pode ser o próprio modo de ser que, por vezes, carrega sofrimentos e conflitos.
Podem ser as emoções desmedidas que dificultam os laços e as relações.
Pode ser o desafio ético e político de existir em meio aos obstáculos e desigualdades do nosso tempo.
Pode ser um acontecimento inesperado que desorganiza planos, exigindo uma nova direção.
Pode ser o tédio instalado, onde nada mais parece despertar interesse — nem mesmo si mesma.
Pode ser a angústia de perder o chão, como se nada explicasse mudanças tão drásticas.
Pode ser a necessidade de, enfim, cuidar verdadeiramente de si.
Ou a revolta diante de um mundo adoecedor, que exige o resgate da própria voz.
Existem tantas outras formas de nos perdermos de nós mesmas, seja remoendo o passado ou nos perdendo na ansiedade pelo futuro. Em todos esses casos, a ação de procurar ajuda é necessária, mas antes dela vem o pensar, que é a própria atmosfera da psicoterapia.
A Psicoterapia Existencial: uma construção artesanal
Seja qual for a situação, a clínica existencial se oferece como uma construção artesanal, tecida e afinada sessão após sessão. É um processo contínuo de afeto e honestidade. Nessa conversa, a psicoterapeuta ressalta as incoerências das supostas certezas que, muitas vezes, sustentam nossos sofrimentos mais íntimos.
No entanto, marcar uma sessão não significa, por si só, adentrar no processo. O passo seguinte exige entrega, comprometimento e uma ética amorosa com a própria história.
É por isso que a psicoterapia é artesanal: ela é feita a quatro mãos, com paciência. É essa atmosfera de entrega que possibilita os instantes transformadores, capazes de mudar o modo como vivemos a nossa própria vida.

